"Eu nasci em circunstâncias incomuns."

Assim começa O Curioso Caso de Benjamin Button, adaptação do romance de 1920 de F. Scott Fitzgerald sobre um homem que nasce com oitenta e poucos anos e rejuvenesce a cada dia que passa. Um homem, como qualquer um de nós, que não pode parar o tempo. A partir da Nova Orleans do final da I Guerra Mundial, em 1918, adentrando o século XXI, o filme percorre uma jornada tão incomum quanto pode ser a da vida de qualquer pessoa, através da grandiosa história de um homem nem tão comum assim, das pessoas e lugares que ele descobre ao longo do caminho, dos amores que encontra, dos que perde, das alegrias da vida e das tristezas da morte e do que permanece além do tempo.


SOBRE A PRODUÇÃO

A história de O Curioso Caso de Benjamin Button começou nos anos 1920 com um conto de F. Scott Fitzgerald, que, por sua vez, foi inspirado numa citação de Mark Twain: "A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18".

A história de Fitzgerald era uma extravagância, uma fantasia e a idéia de torná-la realidade nas telas foi sempre considerada muito ambiciosa e fantástica para se executar com êxito. O projeto vagou por 40 e poucos anos até que os produtores Kathleen Kennedy e Frank Marshall o assumiram. Por mais de uma década, e de forma semelhante, o projeto intrigou Eric Roth, David Fincher e Brad Pitt.

Para Roth, o conceito tornou-se a oportunidade de olhar introspectivamente para a amplitude da vida por meio de momentos de intimidade diários, por meio de eventos da dimensão de uma guerra mundial ou tão simples quanto um beijo. "Eric era a pessoa ideal para realizar de forma completa o potencial de uma história tão grandiosa e, ao mesmo tempo, tão profundamente pessoal", observa Kennedy. Em Forrest Gump - O Contador de Histórias, Roth revelou retratos pessoais inseridos em histórias épicas e em contraste com elas, além de um talento especial para observar generosamente os detalhes.

A possibilidade de "viver para trás" parece perfeita. "Porém, não é tão simples assim", comenta Roth. "Olhando superficialmente, você pode pensar que seria algo adorável, mas é um tipo diferente de vida, e acho que essa é a característica mais convincente da história. Ainda que caminhando para trás, o primeiro beijo e o primeiro amor de Benjamin são muito importantes e significativos para ele. Não há qualquer diferença em viver sua vida para frente ou para trás, a questão é como você vive sua vida."

Enquanto concebia e escrevia o roteiro, Roth passou pela dura experiência de perder os pais. "A morte de ambos foi, obviamente, muito dolorosa para mim e me deu uma perspectiva diferente das coisas. Acho que as pessoas vão se identificar com as mesmas questões com que me identifiquei na história", comenta.

O filme explora a condição humana fora do contexto do tempo e da idade, as alegrias da vida e do amor e a tristeza da perda. "David e eu desejávamos passar o sentimento de que esta poderia ser a história de qualquer pessoa", diz Roth. "É somente a história de um homem; essa é a característica extraordinária e, ao mesmo tempo, absolutamente normal do filme. O que afeta esse estranho personagem afeta a todos."

Embora a aflição de Benjamim seja inteiramente peculiar, sua jornada focaliza as complexas emoções contidas na essência de qualquer vida. "Envolve as perguntas que nos fazemos ao longo de uma vida inteira", pondera Marshall. "E raramente um filme vai elucidar tantos pontos de vista tão pessoais e tão diferentes. Alguém que esteja na faixa dos 60 ou 70 anos verá o filme de uma maneira, ao passo que uma pessoa em seus 20 anos o perceberá de outra forma."

A produtora Céan Chaffin lembra que o projeto há bastante tempo vem girando em torno de Fincher, ora de perto, ora de longe. Houve uma versão anterior do roteiro, com a qual Chaffin começou a trabalhar em 1992. "Era algo de que ele gostava e que se manteve vivo ao longo dos anos", conta. "Lembro-me também de quando Brad lhe perguntou sobre o projeto, e David respondeu 'Poderia dar um grande filme'. Roteiros vão e vêm, mas este roteiro nunca foi descartado. Ele costuma dizer que as coisas vão embora pelas razões certas e que você não pode se arrepender. Este roteiro teve as suas razões para ficar."


A própria experiência de Fincher com a perda infundiu-lhe a fascinação pela história. "Meu pai havia falecido cinco anos antes e me lembro do momento em que respirou pela última vez. Foi um momento incrivelmente profundo. Quando você perde uma pessoa que determinou sua formação de várias formas, que é seu 'verdadeiro norte', perde também sua bússola na vida. Você não tenta mais agradar a alguém, não reage mais contra algo. Você está verdadeiramente só sob vários aspectos", analisa.

No início da organização do filme, as reuniões de Fincher com Kennedy e Marshall freqüentemente tomavam um rumo altamente pessoal. Fincher recorda: "Começávamos a falar sobre a história e quinze minutos depois estávamos conversando sobre pessoas que amávamos e que haviam morrido, sobre pessoas que amávamos e que não nos entendiam e pessoas que nos seguiam ou a quem nós seguíamos. O filme é interessante nesse sentido; teve esse efeito sobre todos nós".

Realizar o filme seria um salto ambicioso, considerando os desafios dramáticos, bem como os técnicos. "Como criar de forma habilidosa e sucinta uma experiência de vida, com todos seus altos e baixos, do túmulo ao berço, em um único filme?", reflete Kennedy. "No roteiro de Eric, cada momento acumula emoções que repercutem em você mais tarde. Trair essa sensibilidade diminuiria a experiência, portanto sabíamos desde o início que levaria tempo para projetar os caminhos de toda uma vida."

Para Pitt, a única forma de fazer o personagem era percorrendo todo o caminho, a cada idade, o que colocava em destaque um dos mais intimidantes desafios do filme. "Brad estava interessado em assumir o papel somente se pudesse interpretar o personagem do início ao fim da vida", enfatiza Fincher. "Kathy e Frank estavam mais do que curiosos para saber como faríamos isso. Eu disse 'Não sei, mas vamos descobrir'."
Pitt se interessou pela jornada de Benjamin. "Muitos atores se decidem pelo papel em parte em função do que o personagem fará. Bem, Benjamin não 'faz' muito, por si só, porém passa por uma enorme quantidade de experiências. Brad foi a pessoa perfeita. É o tipo de papel que se tornaria passivo nas mãos de alguém menos talentoso", destaca Fincher.

Para dividir a tela com Pitt, Fincher escalou Cate Blanchett. O diretor tinha em mente seu nome desde que ela atuou em Elizabeth - A Era do Ouro. "Lembro-me de ter ido ao Sunset 5 pensando 'Quem é essa mulher? Meu Deus'", relembra. "Não é todo dia que se encontra uma pessoa com todo esse poder e capacidade."
Pitt elogia a atriz: "Ela promovia nosso desempenho, é perfeita e uma grande amiga. É capaz de ler uma cena como poucos. Acho que ela é abençoada. Gostei do papel de bailarina que interpretou. É perfeito para a ela, por sua inegável elegância".

A relação entre a personagem Daisy e Benjamin evolui a partir do momento em que ela entende e aprende a conviver com suas condições excepcionais. Eric Roth observa: "Cate incorpora essa mulher que precisa aceitar a idéia de envelhecer enquanto a pessoa que ama caminha para a juventude. O que significa, então, a vida para ela? De bailarina apaixonada e impetuosa, transforma-se numa mulher imensamente forte".

Apesar de ter praticado balé somente na infância, a atriz construiu Daisy com a delicadeza e a paixão de uma bailarina. "Quando criança, eu fazia as coisas que uma menina comum faz e estudei balé, mas tive de escolher entre a dança e as aulas de piano", conta Blanchet. "Escolhi o piano e depois desisti para abraçar o teatro. Gosto muito da dança, mas sei das minhas limitações. Este filme foi uma grande oportunidade de revisitar a dança."

Daisy é uma das personalidades que entra em contato com Benjamin. "Benjamin é como uma bola branca de bilhar; todos com quem colide lhe deixam marcas", compara Fincher. "A vida é assim, uma coleção de marcas e arranhões. Isso faz dele quem ele é e não qualquer outra pessoa."

"Gosto da idéia das marcas", acrescenta Pitt. "As pessoas produzem um impacto e deixam algum tipo de impressão. Há algo muito poético e tolerante nisso. Não significa que você se deixou derrubar, que você não luta pelo que quer. Significa que você aceita as inevitabilidades da vida. As pessoas vão e vêm. As pessoas partem, seja por opção ou mesmo por morte. Da mesma forma que você algum dia partirá, é o inevitável. A questão é como você lida com isso."

Pitt associa essa noção a seu amigo e colaborador freqüente, Fincher. "O filme explora essa idéia que é verdadeira em Fincher; a crença de que somos responsáveis por nossas próprias vidas", diz o ator. "Somos responsáveis por nossos sucessos e fracassos, e ninguém deve colher os louros ou ser culpado. O destino certamente exerce alguma influência, mas ao final quem dá a forma somos nós."

O papel colocou diante de Pitt um desafio complexo, diferente de qualquer um já enfrentado por ele num filme, o de comunicar o crescimento interno do personagem ao reagir às pessoas com quem se relaciona ao longo do filme. "A jornada de Benjamin Button é muito interna", diz Blanchett. "Apesar das óbvias demandas físicas que o papel impôs a Brad como ator, o truque era interpretar um personagem que ouve e que é presente e reativo a todos no filme."

"É, talvez, o papel mais silencioso jamais desempenhado por Brad", ressalta Fincher.

Roth aponta que Pitt também baseou os aspectos extraordinários do personagem na essência de sua própria humanidade. "A bravura desse desempenho reside em que Brad o interpreta como um 'homem comum'. Acho que Brad tirou uma afinidade com esse personagem de sua própria vivência, que transcende desempenhar o papel. Ele entende o que significa viver um tipo de vida diferente."

Enquanto Benjamin navega no rebocador, a trajetória de Daisy a leva para Nova York, onde se junta a uma companhia de dança no vigor de sua juventude, plena de emoção e alargando fronteiras. "Não é uma relação de co-dependência, no sentido 'Não posso viver sem você'", diz Fincher. "Eles não estão esperando um pelo outro. São ambos sexualmente ativos. São dois indivíduos completos que escolhem ficar juntos por certo tempo, mesmo que não seja o caminho mais fácil".

Daisy, assim como todas as personalidades que povoam o mundo de Benjamin, traça suas próprias curvas no curso da história. Suas vidas, em conjunto ou fora de esquadro, são fios indeléveis da trama do filme.

"Acho que David possui o senso artístico de manter em suas próprias mãos o verdadeiro material de filmagem", diz Swinton. "Ele arregaça as mangas; e conhece tanto as tradições do cinema hollywoodiano quanto o que considera serem suas grandes e ilimitadas possibilidades, tudo com a postura de um verdadeiro pioneiro. Ele é como uma criança brincando numa caixa de areia. Há um sentimento de que as imagens que constrói com seus colegas são simplesmente baixadas do filme que existe completamente formado em sua própria cabeça. É como se fosse juntando os pedaços de seu gosto pelo filme em um jogo elaborado: como se relembrasse um sonho. O mistério parece nunca estar muito afastado dele."

Pitt concorda: "David é como um homem possuído. Ele tem um olho tão bom para filmar, o equilíbrio, o balé do movimento da câmera, que não poderia ser de outra forma com ele senão maravilhoso. A grande recompensa é que, ao final, o que se tem é essa magnífica obra de escultura. Ele é um escultor".

"Ele circunda uma idéia, um momento, uma imagem, um personagem ou uma cena, observando através de vários ângulos e, onde outros se satisfazem ao verem a idéia em três dimensões, David continua investigando até que a idéia tenha seis ou sete dimensões", acrescenta Blanchett. "Quando outras pessoas dizem 'Chega, David, isso é impossível', isso só o incita a continuar. Eu realmente acho que outros cineastas teriam parado antes de chegar aos limites incríveis até onde David levou este conto - e a nós também".


Trailers do Filme

 

 

 

 

 

 


Fonte: Warner Bros.