Velozes e Furiosos 6
23.05.2013
Pablo Bazarello

Quem diria que “Velozes e Furiosos”, o filme sobre rachas de carros lançado em 2001 (que na época recebeu críticas bem mornas e não teve um sucesso financeiro monstruoso) geraria diversas sequências atingindo seu ápice como uma das franquias mais rentáveis da atualidade. Chegando ao seu sexto exemplar em 2013, acompanhamos as coisas como foram deixadas ao final da produção anterior.

A série também funciona como episódica, forçando o público a assistir as obras anteriores para entender quem são os personagens (como Luke Hobbs, por exemplo, o policial introduzido no quinto filme, que funciona como gatilho para a nova trama). Após seu último trabalho no Rio de Janeiro, a gangue de ladrões altamente motorizados liderada por Dominic Toretto (Vin Diesel) está vivendo a boa vida, e usufruindo de sua fortuna de $100 milhões.

Como um passe de mágica, o policial Hobbs (Dwayne Johnson) aparece em sua porta lhe pedindo ajuda para capturar uma nova gangue motorizada, de ex-militares terroristas que tem atacado a Europa. Toretto só aceita entrar na jogada quando o policial conta que Letty (Michelle Rodriguez) – paixão de infância do protagonista – não está morta como todos pensavam, e trabalha agora para o vilão Owen Shaw (Luke Evans). O protagonista de Diesel então reúne sua trupe de desajustados para, ao lado do agente da lei, caçar Shaw e recuperar Letty (basicamente pelas ruas de Londres).

Velozes & Furiosos 6” é exatamente o que os fãs esperam dele. Acelerado e recheado de adrenalina, o filme utiliza tudo em exagero, tiros, brigas, perseguições de carros e explosões. Mas aqui isso tudo recai no quesito onde é uma boa coisa, porque é feito com grande perícia. E surpreendentemente dá espaço suficiente para destacar os seus (muitos) personagens. Todos tem um bom espaço no filme. O sexto exemplar consegue até mesmo encaixar arcos dramáticos de personagens, como o de Han (Sung Kang), é claro, para os padrões de uma produção do gênero.

Mas o que consegue fazer bem é acrescentar muito humor (vindo das tiradas de Tyrese e Ludacris), e obviamente, ação desenfreada que fará os jovens pularem de suas cadeiras em êxtase. Os adultos também conseguirão se divertir, recebendo um puro produto de entretenimento, que não fica devendo nada aos filmes de James Bond, em matéria de arquitetar cenas mirabolantes para tirar o fôlego. É difícil imaginar algo sendo feito de maneira mais grandiosa no gênero atualmente.

Em especial duas cenas mais para o final, uma envolvendo uma perseguição com um tanque de guerra (sim, vocês leram certo), onde os personagens voam pelo ar simplesmente desafiando a gravidade num belo balé surreal. E outra no clímax, com uma grande aeronave militar e muitos carros (é ver para crer!). Tudo isso teria um sabor mais amargo não fossem as entrelinhas onde os criadores ao menos tentam desenvolver seus personagens, e dar-lhes personalidades, propósitos e conflitos. Tudo se encaixa bem, e até ganhamos reviravoltas interessantes.

Tirando detalhes mínimos, como uma certa amnésia (sinal de roteiro preguiçoso, mas quem se importa, certo?), “Velozes & Furiosos 6” já é um dos melhores blockbusters do ano. A produção consegue até mesmo finalmente encaixar o terceiro episódio dentro de sua cronologia.

PS. Fiquem após os créditos para uma cena que apresenta o próximo filme, que será lançado em 2014.

 

Nota:

 

Crítica por: Pablo Bazarello (Blog)