Sombras da Noite
14.06.2012
Thais Nepomuceno

O cineasta Tim Burton é reconhecido por sua estética sombria, divertida e por sua parceria com o ator Johnny Depp. Em "Sombras da Noite", sua nova produção, conta a história de um vampiro - interpretado por Depp - , que depois de 200 anos enterrado volta ao lar que sua família "construiu com sangue". No elenco: Michelle Pfeifer, Chloë Grace Moretz, Helena Bonham Carter, Eva Green e Alice Cooper (como ele mesmo).

Com uma direção de arte e fotografia típica de Burton, esta produção é o seu reflexo; reafirmando sua posição como diretor de assinatura. O filme inicia no século 18, narrando a história de Barnabas Collins (Depp), como ele ganhou sua forma vampiresca. Uma contação que poderia ter sido evitada, uma vez que no decorrer da trama os espectadores conhecem a origem dos personagens. Tal narrativa inicial quebra com possíveis segredos e revelações. Se não fosse pela abertura, o longa seria mais interessante e misterioso. Mesmo assim, podemos extrair humor e as peculiaridades específicas de Burton.

Em 1972, Barnabas é encontrado e dá início à revitalização do nome da família, bem como os negócios. Daí a história ganha o humor "deppiano", revelando o contraste dos séculos. Em plena década de 70, a arte e o comportamento dos personagens são explorados, assim como a trilha sonora. Burton conta ainda com um casting talentoso, que imprimem a não importância do cineasta na direção de atores e sim na configuração da misen-èn-scene. Os personagens têm claras referências de outras produções do cineasta. Depp é Depp, mas com referências de outro personagem do longa ED WOOD (de Burton) e resquícios de outros personagens seus. O personagem caiu como uma luva para Depp, mas isto não o torna genial. Barnabas poderia ter sido interpretado por qualquer outro ator, com competência igual ou melhor.

Eva Green revela um lado cômico e vilanesco com sua Angelique, que é claramente inspirada na personagem Vampira (de Maila Syrjäniemi). Seus figurinos e trejeitos lembram a tal personagem - que pode ser vista nos filmes de ED WOOD-. Chloë Moretz prova seu talento, como a adolescente da família. A jovem atriz é uma das melhores de sua geração e está deixando sua veterana Dakota Fanning para trás. A versatilidade e suas boas escolhas de papéis provam que ela ainda vai crescer muito.

Mesmo sendo um longa com personagens interessantes, a trama esbarra em esquinas já visitadas pelo diretor; mas ainda assim continua sendo intrigante. Este parece ser um reboot de todos os filmes e referências do cineasta (como Ed Wood - demasiado citado nesta resenha, Os fantasmas se divertem, A Morte Lhe Cai Bem, Edward Mãos de Tesoura...). Sombras da Noite é um grande revival do cinema burtoniano e brinca com a comicidade do gênero terror.

 

Nota:

 

Crítica por: Thais Nepomuceno (Blog)