Reféns
17.11.2011
Leonardo Campos

Para uma atriz do quilate de Nicole Kidman, só nos resta uma dúvida no que diz respeito à sua participação neste suspense fajuto dirigido por Joel Schumacher: contas atrasadas, falta de roteiros interessantes ou tédio no pós-auge da sua carreira brilhante, vide sucessos e indicações ao Oscar e Globo de Ouro nos anos 2000.

Na sinopse oferecida por nosso portal Cine Pop, somos informados que Reféns apresenta a história de Kyle (Nicolas Cage) e Sarah (Nicole Kidman), casal que vive em uma elegante e segura casa com todos os confortos modernos. Sua única filha, Avery (Liana Liberato) é uma adolescente linda, mas ainda muito rebelde.

Tudo está bem até o momento em que a casa é invadida por criminosos e a família é feita refém. Agora todos os segredos da família deverão ser revelados na luta contra os invasores.

Seguindo a linha do irregular O Quarto do Pânico e do eficiente Violência Gratuita, Reféns tem tantas reviravoltas que confundem o espectador. Indeciso, Cage e Kidman parecem poucos inspirados e marionetes do descontrole de Schumacher na direção fílmica. O mais engraçado é que se o filme assumisse o status de trash, ganharia mais adeptos. Nem isso consegue. Sabemos que é muito divertido ver atores famosos se expondo em tramas que são verdadeiras pérolas da ruindade. Mas Reféns se deixa levar à sério demais, tentando convencer o público de que eles estão diante de um filme interessante e qualificado. Ledo engano.

O filme é cheio de problemas: as reviravoltas são frias. Surpreendem muito pouco, quase nada. Os flashbacks em excesso brincam com a capacidade do espectador de se achar um ser pensante e os diálogos bobos distanciam o público da história. A tensão não alcança auge em momento algum, tamanha a previsibilidade do roteiro. Os responsáveis pela produção (Karl Gajdusek, roteirista, um dos culpados) sequer tiveram a preocupação de fazer o público simpatizar com a família, para que depois do assalto e do cativeiro, ficássemos compadecidos com a situação dos personagens. Longe disso, a direção prefere o tédio absoluto.

Nas minhas análises fílmicas, procuro sempre fugir de comentários ligados à vida pessoal dos atores e diretores. Não acredito que seja interessante para o entendimento do espectador, mas cabe ressaltar que a linda e alva Nicole Kidman, que arrebatou platéias no mundo inteiro com As Horas e Moulin Rouge e que fez as pessoas suarem frio nos cinemas com Os Outros, está seguindo o caminho errado para quem trabalha com interpretação: o famoso botox, que tem deformado diversas boas atrizes contemporâneas compromete (e muito) o trabalho da atriz e a sua presença em cena. Nicolas Cage nem se fala: um dos piores atores de todos os tempos, cada vez mais canastra. Ademais, escolher melhor os roteiros também é interessante. Reféns diz pouca coisa e é muito mal dirigido. São quase duas horas de obviedades. Assista se for o caso de curiosidade. E só.


Nota:

Crítica por: Leonardo Campos