Os Vingadores
26.04.2012
Renato Marafon

Desde que assumiu a produção dos filmes baseados em seus quadrinhos, a Marvel não decepcionou. Sem os direitos dos carros-chefes das HQs, 'Homem-Aranha' e 'X-Men', a Marvel Studios investiu pesado na adaptação para o cinema de seu grupo de super-heróis, começando pelas histórias individuais de cada um dos integrantes da equipe.

O estúdio se tornou responsável pela produção de ‘Homem de Ferro’, ‘O Incrível Hulk’, ‘Thor’ e ‘Capitão América – O Primeiro Vingador’, e em cada um das produções preparou terreno para um dos mais ambiciosos projetos do cinema recente: ‘Os Vingadores’.

O escolhido para roteirizar e dirigir foi Joss Whedon, que tinha como maior sucesso em seu currículo a elogiada série de TV ‘Buffy – A Caça Vampiros’ (1996-2003), onde uma jovem Sarah Michelle Gellar lutava contra vampiros e monstros, traçando uma metáfora com o difícil período da adolescência.

Em ‘Os Vingadores’, Whedon se superou: acertou em cheio com uma das melhores adaptações cinematográficas baseadas em HQs já realizadas. Dizer que a Marvel finalmente chegou perto da qualidade de ‘Batman – O Cavaleiro das Trevas’ é inevitável: Roteiro, atuações e direção são impecáveis.

A diferença entre as adaptações se dá apenas pelo tom: enquanto Batman é obscuro e sério, parecendo mais um filme noir, ‘Os Vingadores’ aposta na comédia. As tiradas cômicas e autoparódias dominam a fita, e são hilárias e extremamente inteligentes.

Na primeira edição da revista em quadrinhos do grupo, lançada há quase 50 anos, foi Loki, o irmão de Thor, quem causava o problema que fez com que os Vingadores se reunissem pela primeira vez para derrotá-lo. Na realização do filme, a Marvel permaneceu fiel a esse enredo. Loki, interpretado por Tom Hiddleston (em ótima atuação), é um vilão muito mais poderoso na Terra do que em seu próprio mundo de Asgard.

Nick Fury (Samuel L. Jackson), diretor da agência internacional de paz conhecido como SHIELD, recruta uma equipe para livrar o mundo de uma possível destruição: Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Capitão América (Chris Evans), Thor (Chris Hemsworth), Hulk (Mark Ruffalo), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e Viúva Negra (Scarlett Johansson).

Apesar das declarações de Whedon, dizendo que o Capitão América seria o principal Vingador, todos os personagens ganham destaque similar.

O grandioso elenco dá um show em cena. Quem inicia o processo de seleção é a Viúva Negra, de Scarlett Johansson. A única Vingadora surge logo no início, sendo torturada com trajes pra lá de sensuais, e demonstra que – apesar de não ter nenhum superpoder ou armadura especial – é tão forte quanto seus colegas de grupo.
É ela também quem tem os diálogos mais interessantes, abusando de seu dom de convencer e enganar, como uma perfeita espiã.

O humor fica por conta da disputa entre Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Capitão América (Chris Evans) e Thor (Chris Hemsworth), que se estranham a todos os momentos, com diálogos ágeis, inteligentes e extremamente divertidos.

Robert Downey Jr. brilha como sempre. Após dois filmes como o Homem de Ferro, ele encarna o personagem de uma maneira tão natural e espontânea, que parece ter o personagem criado para ele.

Chris Evans e Chris Hemsworth, respectivamente Capitão América e Thor, também demonstram estar mais à vontade como os personagens, e em nenhum momento são ofuscados pelo brilho de Downey Jr.

Mark Ruffalo é o grande destaque: interpretando pela primeira vez Bruce Banner?, o astro consegue a melhor atuação para o personagem, superando Eric Bana (‘Hulk’) e Edward Norton (‘O Incrível Hulk’). E a criação digital do Hulk, com captura de movimentos, é espetacular.

Samuel L. Jackson continua ótimo, e caricato como de costume, enquanto Jeremy Renner tem menos importância para a trama, e ainda assim consegue destaque por sua boa atuação – ele dá um ar mais sério ao seu personagem.

Os Vingadores’ tem tudo que um blockbuster de sucesso pede: grandes astros, ação desenfreada, efeitos visuais de primeira qualidade e um orçamento astronômico. Mas o atrativo principal – e diferencial deste para outros blockbusters – está na qualidade do roteiro. Apesar do grande número de personagens, cada um deles é trabalhado individualmente e decentemente, fazendo com que o público se identifique.

Literalmente, um arrasa-quarteirões.

 

Nota:

 

Crítica por: Renato Marafon