Meu Malvado Favorito


Bonitinho, mas ordinário: é a melhor definição para a nova animação da Universal Pictures, Meu Malvado Favorito, título que (acreditem) o define melhor do que o original, Despicable Me (Eu Desprezível, ao pé-da-letra).

Tendo como personagem principal Gru, um sujeito conhecido pelas maldades e roubos que realiza, o filme enfatiza a dicotomia egoísmo-paternidade pela qual ele passa. O mais ambicioso plano de Gru é roubar a Lua e para tal, precisa conseguir uma arma que diminui absurdamente o tamanho das coisas. A arma está em poder do inimigo de Gru, Vetor. Ao perceber que três garotinhas órfãs têm livre acesso à casa de Vetor, Gru resolve adotá-las, com interesse no que elas podem conseguir para ele. Acontece que elas despertam nele o extinto de paternidade, sentimento com o qual ele não sabe lidar.

Abarrotado de conceitos piegas, o produtor Chris Meledandri (A Era do Gelo) apostou na “fórmula da moda” das animações: tornar fofos seres feios na aparência, acrescentando a isso o elemento neurótico-engraçado, como eram os pinguins em Madagascar, o esquilo Scrat em A Era do Gelo e os chaveirinhos do Pizza Planet em Toy Story. Neste caso, são os Minions, que possuem a mesma função do esquilo Scrat na trilogia do gelo, ou seja, nenhuma. Eles estão ali apenas para divertir, com esquetes estilo Papa-Léguas.

Infelizmente, o longa não mantém o vigor dos primeiros minutos, quando é inteligente e é regido por um trilha sonora excelente, especialmente a música-tema, o rap Despicable Me, de batidas sombrias que ditam o ritmo da apresentação de Gru e da investigação do sumiço da maior pirâmide do Egito.

A situação melhora quando a atenção volta-se para a relação construída entre o “malvado favorito” e as três garotinhas, tão estranhas quanto ele. A cena da leitura do livro de criança é singela e muito encantadora.

Podendo terminar bem, o diretor ainda optou pelo caminho fácil de colocar os personagens para dançar num último número musical, artifício já utilizado à exaustão e que, comigo, não colam mais. Ainda assim, as poucas boas piadas e os efeitos 3D bem trabalhados farão a alegria da garotada.

É o fator diversão que se sobrepõe a um final melancólico e emocionante que despontava no horizonte.

 

Nota:

Crítica por: Fred Burle (Fred Burle no Cinema)