João e Maria - Caçadores de Bruxas
21.01.2013
Pablo Bazarello

Subverter contos clássicos infantis virou uma tendência de apostas para novas franquias em Hollywood.

Em anos recentes tivemos de tudo, desde as que não funcionaram como “A Garota da Capa Vermelha” (versão a la “Crepúsculo” do conto da Chapeuzinho Vermelho, inclusive com a mesma diretora, e protagonizada por Amanda Seyfried) e “Espelho, Espelho Meu” (comédia infantil com uma desmotivada Julia Roberts), passando pelos que deram certo,

Branca de Neve e o Caçador” (versão no estilo de “Senhor dos Anéis” de Branca de Neve com Kristen Stewart e uma empolgada Charlize Theron), até as futuras estreias, como “Jack – O Caçador de Gigantes” (adiada produção que adapta “João e o Pé de Feijão”, dirigida por Bryan Singer, de “X-Men” e “Os Suspeitos”). Agora no início de 2013 recebemos “João e Maria – Caçadores de Bruxas”, produção de 60 milhões de dólares, igualmente adiada do ano passado para esse, o que quase nunca é um bom sinal.

Sejam quais tenham sido os motivos do atraso do filme (efeitos em 3D, ou regravações), o mês de janeiro é conhecido nos EUA por ser a casa de estreias fracas, justamente produções que ficaram engavetadas no ano anterior. Na história original criada pelos irmãos Grimm e publicada em 1812, João e Maria (Hansel e Gretel no original) são irmãos abandonados na floresta por seu pai lenhador pobre, por não conseguir alimentar a família. Perdidas, as crianças fazem uma trilha com migalhas de pão, que logo são comidas por pássaros. Então, acham refúgio numa casa de doces, somente para descobrirem que sua dona era uma bruxa que planejava engordá-los para depois se alimentar deles. A nova versão continua exatamente de onde o conto clássico parou, e temos João e Maria crescidos, agora nas peles de Jeremy Renner (“Os Vingadores” e “O Legado Bourne”) e Gemma Arterton (“Fúria de Titãs” e “Príncipe da Pérsia”), especialistas em matar bruxas de todos os tipos.

O filme é escrito pelo norueguês Tommy Wirkola em parceria com Dante Harper, e dirigido por Wirkola, que em 2007 fez a paródia de sua nacionalidade de “Kill Bill”, com “Kill Buljo”, e ganhou certa notoriedade com o cult “Zumbis na Neve” (Dead Snow). Renner e Arterton não têm muito o que fazer aqui, seus personagens são apenas esboçados como os semi-imbatíveis heróis. Mas aqui isso não importa, já que a proposta desse filme pipoca é apenas a diversão despretensiosa. Com um tempo de duração extremamente curto, “João e Maria – Caçadores de Bruxas” surpreende em alguns quesitos inesperados para uma produção do gênero. O primeiro é o que diz respeito a sua censura, que deverá receber ao menos 16 anos aqui no Brasil, já que nos EUA a escolhida foi R – Restricted, que estabelece que pessoas abaixo de 17 anos somente sejam permitidas com os responsáveis. O motivo é que o filme faz uso de violência explícita, embora exagerada e cartunesca (cabeças são esmagadas, corpos desmembrados por árvores), nudez (da belíssima atriz e modelo finlandesa Pihla Viitala, que no filme vive o interesse amoroso de João) e muito palavrão (em especial “fuck”, Arterton nos metralha com a palavra).

O segundo fator curioso e favorável (além de totalmente inesperado), são as cenas estranhas demais, como a morte inesperada de determinados personagens, e acreditem uma espécie de romance entre Maria e uma criatura chamada Edward (seria uma sátira a “Crepúsculo”?). A produção também decide fazer uso de bonecos animatrônicos na hora de compor alguns personagens, o que faz o filme soar como alguma produção saída dos anos 80 (bem mais hardcore é claro), e maquiagens igualmente interessantes. Famke Janssen (a Jean de “X-Men”) interpreta a bruxa Muriel, principal vilã do filme, e demonstra que consegue ser bela e sensual mesmo debaixo de muita maquiagem. É visível mesmo com todos esses toques (muito) legais, que “João e Maria” teve seus problemas, e quem sabe precisou ser muito podado (sua duração é realmente uma das mais curtas em tempos recentes). Esse é um filme de muito estilo, seu visual é ótimo, seja nas cenas de abertura que mostra através de animação o currículo de bruxas eliminadas pela dupla, figurinos, e cenas de ação bem elaboradas; mas talvez estilo seja tudo o que o filme possui, já que a substância aqui é muito pouca.

 

Nota:

 

Crítica por: Pablo Bazarello (Blog)