Forrest Gump

Com certeza, "Forrest Gump" é um filme muito superestimado pela crítica e público brasileiros. Muitos o rotulam como obra-prima, clássico, etc. Ao meu ver, "Forrest Gump" é apenas um bom filme, pois peca algumas vezes ao exagerar no nacionalismo norte-americano, deixando a história chata em alguns momentos. Pelo menos para as pessoas que não vivem por lá.

Há momentos ótimos, como o início, com a pluma flutuando e caindo na perna de Forrest. Outro bom momento é a sequência onde Forrest ainda criança começa a correr e aos poucos vai se livrando dos aparelhos das suas pernas, até que nos deparamos com o mesmo Forrest já adulto, adentrando um estádio de futebol. Tudo isso sem muitos cortes, fazendo dessa sequência uma das partes mais emocionantes do filme.

A atuação de Tom Hanks é digna de Oscar. Este é o seu melhor trabalho, em toda a sua carreira, e vai ser muito difícil superá-lo. Hanks tira de letra a interpretação do herói meio abobalhado, e ainda conseguiu eternizar frases como "A vida é como uma caixa de bombons..". Sally Field, que aqui é coadjuvante, é a mãezona típica, e consegue arrancar alguma emoção. Mas definitivamente, o melhor dos atores coadjuvantes é Gary Sinise, que interpreta o militar amigo de Gump que perdeu as pernas em combate. Sua atuação é forte e gera os momentos de maiores reflexões em todo o filme.

Sinise teve suas pernas "escondidas" pelos efeitos especiais da IL&M, o que foi somente uma parte do imenso trabalho que a equipe de efeitos teve que enfrentar. Desde a sequência onde Forrest conhece o presidente John Kennedy (a mais difícil) até a disputa de de ping-pong (onde a bolinha não existia e foi acrescentada por computador), os efeitos são um outro grande destaque do filme, já que são ótimos e encaixados na história.

A direção consistente de Robert Zemeckis consegue segurar boa parte do filme, apesar de cair em algumas, como as cenas envolvendo Forrest e sua amada. Não é o melhor trabalho de Zemeckis, que ainda continua sendo a trilogia "De Volta Para O Futuro", mas é digno de um grande diretor.

Como já disse, o filme exagera em alguns momentos, ao nos apresentar Forrest Gump como o típico herói norte-americano. As passagens da história americana não funcionam muito bem para o público que não a conhece. Por isso, "Forrest Gump" deve ser muito melhor para os norte-americanos e lá, talvez, o título de "obra-prima" possa ser merecido. Por aqui, continua sendo "somente" um ótimo filme.

Nota: 
Crítica por: Diego Sapia Maia
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