Os Delírios de Consumo de Becky Bloom


Uma das melhores comédias do primeiro semestre de 2009. Os delírios de consumo de Beck Bloom é divertido sem ser exagerado, as piadas estão no limite do politicamente correto e a personagem principal é muito bem construída para um filme deste quilate. Adaptação do romance best-seller de Shopie Kinsella, lembra os divertidos momentos de bons filmes do estilo como O Diabo veste Prada e o recente A Proposta.

A sinopse oficial do filme traz o seguinte: Rebecca Bloomwood (Isla Fisher) é uma garota que adora fazer compras. Seu grande sonho é um dia trabalhar em sua revista de moda preferida, mas ela no máximo consegue chegar na porta do local. O filme começa com a infância da menina Rebecca, daí entenderemos as motivações do comportamento adulto da moça. Até que um dia ela consegue emprego como colunista em uma revista de finanças publicada pela mesma editora. Quando enfim seu sonho está prestes a ser realizado, ela faz de tudo para que seu passado não venha à tona. Logo Rebecca se torna a Garota do Sharpe Verde. Filhote de Sex and the city e O Diabo veste Prada, Os delírios de consumo de Beck Bloom consegue êxito com os seus colegas de prateleira de locadoras de dvd, principalmente por trazer trilha sonora com Amy Winehouse e Pussycats Dolls.

Os delírios de consumo de Beck Bloom é uma fábula feminina e feminista. Talvez não agrade aos marmanjos, mas é uma comédia que não ofende ninguém. Para os dotados de aversão às comédias hollywoodianas, um aviso: o roteiro traz discussões contemporâneas e instigantes diluídas no percurso de risos e cenas formidáveis protagonizadas pela personagem de da atriz Isla Fisher, muito competente por sinal. O filme nos faz pensar na sociedade repleta de abstrações que estamos inseridos, entre elas o cartão de crédito, abstração do dinheiro que em si já é uma abstração do capitalismo; a corrida para o Google para fazer qualquer coisa na internet hoje, mostrando que em alguns momentos perdemos a capacidade de nos mostrarmos independentes da ferramenta tecnológica; as palestras de auto ajuda e de vendas, cheias de frases de efeito e hipocrisia, que em alguns casos em nada colaboram; o consumismo exagerado da sociedade contemporânea, fazendo inclusive a personagem pensar em “segurança na velhice ou ter tudo aqui e agora?” o desejo de fama e sucesso que leva pessoas comuns as mais inusitadas situações (exibições em Orkut e situações do tipo) entre outras discussões que precisam ser analisadas por você ao assistir esse delicioso filme de apenas 97 minutos de duração.

A cena final, com os manequins das vitrines dialogando com Rebecca é digna influência da literatura fantástica, incrível, bem elaborado e transposição feliz. Diversão garantida. Assista.

 

Nota:
Crítica por: Leonardo Campos