Cisne Negro


Desorientador! É assim que defino Cisne Negro, filme do diretor de Réquiem Para Um Sonho e O Lutador, Darren Aronofsky, que acaba de estrear no Brasil.

Cisne Negro conta a história de Nina (Natalie Portman), uma bailarina profissional de uma cia de ballet de Nova Iorque, que consegue o papel principal para uma nova versão do ballet 'O Lago dos Cisnes', de Tchaikovsky. Nessa nova versão, a bailarina terá que ser capaz de interpretar Odete e Odile, o Cisne Branco e o Negro, encarnar o bem e o mal.

Aparentemente um tema comum escrevendo em poucas linhas, mas ao entrar no mundo de Nina, um mundo sufocado pela superproteção da mãe, mergulhamos em tormentas psicológicas pela busca constante da superação e da perfeição. Ao som carregado de emoções de Tchaikovsky e em imagens, que variam entre o preto e o branco e sua junção, nos deparamos com um real alucinado, com sentimentos guardados e prontos para explodir.

No desenrolar do filme, é perceptível que a redoma que envolve Nina é tão frágil quanto o seu exterior pueril e virgem, que desmorona com a aparição de suas obsessões e fantasias. Natalie Portman consegue nos envolver em sua atuação, sem exageros, perfeita.

Mas não só Portman brilha em Cisne Negro. O elenco parece-me que foi escolhido a dedo. Vemos uma Mila Kunis, deixando para trás That ’70s Show, uma Winona Ryder, como uma famosa bailarina decadente, que sempre foi o espelho e exemplo de Nina, e Vincent Cassel, o coreógrafo, que seduz e induz suas bailarinas a ultrapassarem seus limites.

Cisne Negro atormenta ao mostrar, pelo mundo do balé, sonhos, desejos reprimidos, emoções, atitudes sombrias. A fala dita pelo personagem de Cassel, “Perfeição não significa apenas controle, mas também se soltar. Surpreender a si mesma, a plateia...”, fixa na mente, pois se encaixa em qualquer situação e nos faz pensar no branco e negro dentro de cada um de nós.


Nota:

Crítica por: Mariana Valadares Zitto (Blog)